A falácia do “Natal Pagão”

O problema dessa discussão envolvendo o Natal ou a simbologia Cristã é que grupos evangélicos (ou “evanjudélicos”) estão assassinando a simbólica Cristã tradicional, que por mais de 20 séculos foi o principal elemento de conversão da humanidade. Mais do que isso, estão assassinando a fé Cristã. Hoje, Natal, presenciei diversos absurdos, como por exemplo um infeliz dizendo que a cruz não é um símbolo Cristão mas uma representação pagã de Tamuz. O que difere o cristianismo do judaísmo é justamente sua capacidade de conversão dos povos à fé cristã, sendo capaz inclusive de renovar sua simbólica e cultura a significados ligados a Cristo.

Essa atitude de condenar a simbólica e os costumes provém dos mesmos fariseus que crucificaram Cristo; um exemplo disso está em Atos dos Apóstolos, quando Pedro e outros Apóstolos não queriam sentar-se à mesa para comer com gentios, pois eles eram… gentios! Claro, isso ia contra os costumes segundo a lei judaica. Então Paulo, naquele que foi o primeiro Concílio, mostrou aos demais apóstolos por meio da palavra inspirada pelo Espírito Santo, que eles estavam errados e que a Lei e os costumes do Antigo Testamento não são para os cristãos.

Quando os primeiros Jesuítas chegaram à América eles aprenderam a linguagem dos Índios. Centenas de línguas diferentes, na verdade. E ensinaram aos índios que o filho de Tupã, que era a forma como algumas tribos denominavam o Deus Criador, havia vindo a Terra para remir a todos de seus pecados.
Reis Bárbaros converteram-se a fé cristã conservando elementos simbólicos de sua cultura e tradição. Celtas tornaram-se cristãos mantendo alguns símbolos que eram utilizados para rituais druídicos, porém atribuíram-lhes novos significados. Pois o símbolo, que provém da revelação metafísica, e fora interpretado de maneira diferente, é o mesmo símbolo agora interpretado com as janelas da alma, os olhos, renovados por Cristo. Sim, o símbolo era sagrado, caso contrário não haveria sido revelado aos mais sábios daqueles povos: seus sacerdotes. É difícil fazer certos evangélicos entenderem que nem todos os sacerdotes pagãos eram devotos de Baal, por exemplo. A ignorância é unânine: “isso é paganismo!”, bradam sem saber sequer do quão profundo é este assunto.

A Triskle Celta por exemplo, que representava a tríade da vida, as regiões celtas e os elementos da criação, depois da conversão a fé cristã passou a representar o Pai o filho e o Espírito Santo; a Santíssima Trindade.

Só porque um ritual pagão também foi celebrado no dia 25 de dezembro não significa que cristãos estejam celebrando a mesma data com a mesma intenção. A intenção, aliás, é a alma de todo ritual. Ou seja, seria absurdidade dizer que um cristão celebra sacrifícios a Moloch, por exemplo, só porque este ou aquele povo o fazia na mesma data, sabendo que o cristão o faz em memória a vida de Cristo. Se fosse assim, não poderia haver data festiva entre cristãos, pois certamente que todas as datas de nosso calendário já foram utilizadas por culturas pagãs em algum momento da história com alguma finalidade comemorativa ou ritual.

É portanto bastante preocupante quando grupos cristãos confusos passam a condenar a própria simbólica, que foi responsável pelo crescimento da cristandade desde os primórdios de sua existência, e passam então a buscar um resgate de uma tradição importada que não é nossa. Tradição esta que o próprio Apóstolo Paulo já havia reputado como superada. Sim, a graça superou a lei, cabe ter que lembrar. Paulo não condenou a tradição judaica em si, mas sim esta atitude legalista e hipócrita dos demais Apóstolos de quererem impor ao próximo quais costumes são aceitos por Deus ou não. E todos eles reconheceram o erro após a explanação de Paulo, pois segundo a fé cristã, Paulo tinha razão.

Há pecado ou não há pecado conforme a sua consciência. Esse foi o critério revelado à Paulo em 1 Corintios 8, em Romanos 2 e em diversas passagens bíblicas da Nova Aliança.
E o que o Novo Testamento de fato condena são as obras da carne, como essa porfia inútil descrita em Gálatas 5, que provoca debates intermináveis sem propósito algum, que começam justamente quando alguns tentam “satanizar” uma simbólica que já possui significados convertidos à ótica de Cristo.
Perceber isso é compreender a graça, pois nela não há a Lei que produz a morte, apenas a graça e a revelação que conduzem à vida eterna.

Pois a vida eterna é livre do pecado e possui uma consciência imaculada, coisa que estes condenadores, que criaram um falso cristianismo moderno e que na verdade não passam de filhotes de seitas messiânicas judaicas, desconhecem. Pois querem impor ao próximo, por medo da condenação e usando a mais covarde das estratégias (o medo do inferno), a sua própria doutrina de homens cegos que tentam guiar outros cegos.
E assim, enfraquecem não apenas o corpo, mas cada um de seus irmãos em Cristo, privando-lhes da maior de todas as dádivas: a graça.

Um Feliz Natal a todos.

Marcio Pichel

Instituto Licentia / Canal Além da Nuvem

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